#0066 | God Of War III (2010)


11/10 ★★★★★★★★★★★

▪ Versão: Playstation 3
▪ Jogado em: Playstation 3 Slim
▪ Controlador: SONY DualShock 3

▪ Lançamento: 2010
▪ Gameplay: 2013 ✪ Melhor do ano
▪ Dificuldade: Moderada ◈◈◈◇◇

♛ TOP10 | 10º lugar

Kratos retorna para o capítulo mais brutal da saga, fechando uma trilogia que redefiniu o gênero de ação para uma geração inteira de jogadores. A expectativa era alta e a Santa Monica já estava ciente disso, e por este motivo reconstruiu boa parte do motor gráfico especialmente para este jogo, afim de trazer não apenas uma boa sequência, mas um título que ficaria marcado na história dos games. Começar exatamente onde parei no segundo jogo, com Kratos escalando o corpo de Gaia rumo ao Olimpo, foi realmente de arrepiar, pois em meio meio a batalha gigantesca dos titãs, um narrativa pesada rolava ao fundo, enquanto o um semi-Deus se aproximava cada vez mais de sua vingança.

O roteiro não perde tempo, vai direto ao ponto, sem suavizar o protagonista ou mesmo a situação em que ali se encontra, a força é incontrolável, a raiva é dominante e a destruição do panteão vai se tornando eminente. Em meio à esta ambientação mitológica (Que é usada com muita inteligência pelos roteiristas), acompanhamos também uma queda moral, pois com cada Deus derrotado, os vestígios humanos de Kratos vão se esvaindo, fazendo-me inclusive pensar que eu já havia deixado de controlar um anti-herói e estava na verdade motivando o nascimento de um vilão.

A direção de arte escala todos esses acontecimentos, nos apresentando um primoroso desenvolvimento de cenários apocalípticos, não apenas ditando o tom da história, mas também nos trazendo momentos contemplativos espetaculares - este jogo é como um print perfeito em movimento. As arquiteturas monumentais com ambientes sombrios que remetem ao submundo, e a modelagem dos deuses gregos, entregam uma personalidade visual que sinceramente nunca mais vi na franquia, pois é algo tão único e inovador para a época, que realmente chegou em um patamar difícil de se conseguir atingir novamente. Não parando por ai, temos ainda a icônica trilha sonora de Gerard Marino, que utiliza orquestrações grandiosas e corais intensos para reforçar a sensação das batalhas e o peso mitológico. E não me refiro apenas à cultura grega em si, mas sim ao desenvolvimento de identidade da obra, onde apenas ao escutarmos um trecho pequeno já conseguimos perceber: é God of War. Os golpes, gritos e efeitos ambientais, funcionam de forma muito coesa, transmitindo bem o clímax das batalhas e as engrenagens e mecânicas dos puzzles que encontramos, fechando assim um trabalho que se conversa entre arte e técnica.

A jogabilidade mantém a essência do hack and slash consagrado pela franquia, mas refina praticamente todos os seus sistemas. Os combos ganham mais fluidez, as armas secundárias possuem identidade própria e as magias adicionam variação tática real aos combates, evitando repetição mesmo em lutas longas, pois a variedade de mecânicas preenchem bem o formato. Os quick time events continuam presentes, mas são mais bem distribuídos, funcionando como pontuação cinematográfica em vez de interrupção da ação, o que particularmente gostei bastante, pois não imaginava que haveria alterações nesse modelo. Os puzzles ambientais aumentaram a complexidade e consequentemente a dificuldade e diferente de jogos atuais da franquia, não temos um NPC dando dicas sem solicitação a todo momento.

VEREDITO: God of War III é o tipo raro de jogo que consegue equilibrar espetáculo técnico, narrativa pesada e jogabilidade refinada sem sacrificar nenhum desses pilares, tudo se conversa neste game e eu acho isso incrível. Cada elemento parece calculado para elevar o anterior, resultando em um encerramento de trilogia que elevou o nível de toda a indústria dos games. O que pareceu ser uma ambição grande demais em seu desenvolvimento, acabou se tornando uma obra que ocupa um lugar cativo entre os meu favoritos de todos os tempos.

God Of War III é uma epopeia de fúria em escala titânica, que redefine a brutalidade pela sede de vingança.

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