#0069 | God Of War: Ascension (2013)


7/10 ★★★★★★★✰✰✰

▪ Versão: Playstation 3
▪ Jogado em: Playstation 3 Slim
▪ Controlador: SONY DualShock 3

▪ Lançamento: 2013
▪ Gameplay: 2013
▪ Dificuldade: Moderada ◈◈◈◇◇

Embora anos depois eu tenha me surpreendido com os gráficos de God of War Ragnarok, eu diria que Ascension ainda é o game desta franquia que realmente me fez perceber a transição de gerações, pois consegue extrair ao máximo o desempenho do PlayStation 3, fazendo na época meu modelo Slim girar o cooler numa velocidade insana. Além desta novidade, tivemos a inserção piloto do modo multiplayer, uma aposta ousada da Santa Monica, que buscava expandir o universo de Kratos, mas que por fim acabou sendo deixado de lado pelos jogadores pouco tempo depois — incluindo-me. Neste lançamento já temos um cenário diferenciado, pois a marca já era consagrada no mercado — devido à revolução que foi com sua trilogia — mas que após a épica conclusão, me fez entrar em dúvidas se valeria a pena mesmo uma continuação da história do espartano, ou se a imagem dele já estava começando a ser gasta no mercado e narrativamente.

A trama acompanha o aprisionamento do protagonista pelas Fúrias, entidades primordiais encarregadas de punir quem quebra juramentos, e o obriga a lidar com alucinações provocadas por essas mesmas divindades ao longo de sua jornada rumo à prisão de Aegaeon. A ambientação mitológica continua bem pesquisada e coerente com o restante da série, mas a narrativa peca por não trazer revelações tão marcantes quanto as vistas nos títulos anteriores, funcionando mais como um preenchimento de lacunas do que como um capítulo essencial. Não somente isso, a história em si não cativa tanto, ficando poucos personagens marcantes, pois hoje todos sabem dizer (mesmo anos depois) quem é Ares ou Atena, mas poucos lembram por exemplo da Megera, uma das principais personagens desta edição.

A trilha sonora composta por Tyler Bates reforça a atmosfera sombria e grandiosa das ruínas gregas e mantém elevada a qualidade de áudio já muito característica da série, que acompanha os belíssimos cenários, dando ênfase principalmente ao clímax dos templos afundados. Mantendo a técnica elevada, o design de som equilibra bem os rugidos de criaturas mitológicas com os diálogos dramáticos, criando uma experiência audiovisual muito eficiente, que, ao experimentar em um home-theater na época, me trouxe uma imersão extraordinária, principalmente nas gameplays frenéticas e nas explorações das estruturas monumentais, que formavam uma espécie de eco único.

As mecânicas de jogabilidade eram as já conhecidas da época, tendo o combate baseado nas Lâminas do Caos, agora com a adição do sistema de dupla lâmina elemental, que permite alternar entre fogo e gelo, variando os combos e também sendo utilizado para resolver alguns puzzles ambientais. Os controles respondem bem e a progressão de habilidades segue satisfatória, porém percebi, devido à alta exigência gráfica, certos momentos com delay, queda de quadros e exagero de desfoque para correção, algo que hoje, via emulação ou retrocompatibilidade, não é mais um problema. Anteriormente sendo uma boa novidade e salientando cenas cinematográficas, aqui já se percebe um certo desgaste das sequências de quick time event, sendo previsíveis e muitas vezes fora de encaixe narrativo.

VEREDITO: God of War: Ascension é um capítulo competente dentro de uma franquia já consolidada, que busca expandir a mitologia em torno de Kratos, mas que infelizmente não consegue superar a força narrativa de suas sequências numeradas. Trata-se de uma experiência tecnicamente muito sólida, demonstrando a qualidade de desenvolvimento e programação da Santa Monica, sendo visualmente impactante e especialmente satisfatório para quem buscava na época apenas a fórmula tradicional da gameplay (o que, acredite, eram muitos jogadores). Diria que este foi um fim de ciclo não forçado, sem a insistência de mais títulos e que proporcionou uma provocação no desenvolvimento, dando origem ao novo formato que temos nos títulos mais modernos. Por este motivo acredito que Ascension não é um desgaste, acabou sendo apenas o fim de um ciclo.

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