#0077 | Manhunt 2 (2007)


7/10 ★★★★★★★✰✰✰

▪ Versão: Playstation Portable
▪ Jogado em: PSP-3001
▪ Controlador: PSP-3001

▪ Lançamento: 2007
▪ Gameplay: 2013
▪ Dificuldade: Moderada ◈◈◈◇◇

Aceitei indicação de um amigo e sem pesquisar muito a fundo, resolvi experimentar este título controverso. Logicamente, o impacto que tive com o desenrolar da trama e principalmente ao ver as cenas fortes em sequência, me fizeram até questionar de que realmente se tratava de um videogame, tamanha a violência que estava presenciando. Mas a Rockstar não estava de brincadeira, pois a exposição deste jogo trouxe embates diretos com órgãos classificadores, antes mesmo de seu lançamento, resultando em cortes significativos de conteúdo original, para tentar ao menos viabilizar sua distribuição comercial. Esse processo conturbado acabou moldando parte da recepção crítica da obra, gerando conversas que questionavam os limites éticos de uma narrativa, algo que até então só tinha observado em Silent Hill.

A trama acompanha Daniel Lamb, personagem que desperta amnésico dentro de um asilo psiquiátrico e precisa desvendar experimentos obscuros conduzidos pela corporação Pickman Project. O roteiro investe em uma atmosfera opressiva e paranoia constante, construindo tensão psicológica que se sustenta bem durante boa parte da campanha - Embora a conclusão das mesmas possa parecer um tanto apressado às vezes. É pesado, não apenas pelas cenas aterrorizantes (E falo em no sentido humano), mas também pelo meio como acontece a narrativa, fazendo o jogador duvidar por vezes de seu próprio auto-controle.

Com cenários decadentes, toda essa situação paranoica é ainda mais reforçada, trazendo uma sensação de perigo e claustrofobia singular, muito enfatizado pelo filtro amarelo característico da época. A trilha sonora, assinada por Bobby Tahouri, contribui de forma eficaz para os eventos do jogo, pois consegue meticulosamente alternar entre silêncio angustiante e estímulos sonoros repentinos, que dependendo da situação consegue se comportar com um jogo de terror, proporcionando até mesmo jumps scares. A qualidade técnica dos modelos de personagens sofre visivelmente com as limitações do PSP, resultando em texturas e iluminação muito inferiores se comparado às versões de consoles, mas que ainda assim não reprimem a violência gráfica do jogo.

Na jogabilidade, o sistema de furtividade baseado em execuções continua funcionando como núcleo central da experiência, recompensando planejamento cuidadoso e leitura de padrões. As sequências de perseguição adicionam variedade bem-vinda ao ritmo, que compensam de certa forma a inteligência artificial um tanto limitada dos oponentes, que apresentam inconsistências ocasionais, me lembrando até mesmo o comportamento de NPCs do Playstation 1. O desempenho técnico no portátil se mantém razoavelmente estável, embora com quedas de frames em ambientes mais carregados, mas nada que seja muito significativo - A limitação gráfica realmente funciona como um pilar de otimização neste título.

VEREDITO: Manhunt 2 entrega uma experiência tensa e bem ambientada, ainda que comprometida por limitações técnicas, mas que nos traz uma narrativa psicodélica interessante, testando o limite de desconforto do jogador. A imersão psicológica sofre às vezes com uma IA não condizente, trazendo breves momentos de violência sem justificativa, mas que no geral, se alinha com a proposta.

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