
9/10 ★★★★★★★★★✰
▪ Versão: Playstation 3
▪ Jogado em: Playstation 3 Slim
▪ Controlador: SONY DualShock 3
Eu estava em busca de um Gears of War da Playstation e mesmo sendo em primeira pessoa, Resistence acabou me convencendo - até porque já conhecia a excelência da Insomniac devido ao Spyro, mas confesso que estava um pouco receoso, pois este título tinha uma temática mais sombria e adulta, algo completamente contrário das propostas elaboradas pela desenvolvedora até então.
A trama parte de uma premissa de história alternativa: a Segunda Guerra Mundial nunca aconteceu e em seu lugar um vírus alienígena avança pela Rússia e se espalha pela Europa, transformando populações inteiras em criaturas estranhas, conhecidas como Chimera. Jogos que trabalham com uma hipótese alternativa da realidade geralmente tendem a ser muito criativos, e quando eu assumi o papel do soldado Nathan Hale, isso ficou muito evidente, pois não tive apenas a ação desenfreada que procurava, consegui realmente me interessar pelos acontecimentos daquela situação, principalmente para tentar entender porque o protagonista conseguia se manter imune à infecção. Acompanhando então uma jornada que mistura desespero militar com um mistério pessoal sobre a própria condição, a narrativa se desenrola com reviravoltas, construindo de forma muito envolvente um clima de tensão e desolação, apoiado por registros e cenários bem construídos, que lembram um pouco a forma de contar história da franquia Resident Evil.
Tais cenários dispõem principalmente da reconstrução de uma Inglaterra em ruínas, com arquitetura gótica corroída e ambientes urbanos devastados, o que transmite um peso histórico e ainda destaca a invasão das criaturas grotescas. Este inimigos são uma influência geral do mundo dos games, pois criam uma mistura de seres biomecânicos com uma estetica alienígena maluca, mas que no fim, ainda consegue funcionar de forma coerente naquele universo.
O som deste jogo é muito único, trazendo para a obra uma identidade própria, que se destaca ainda mais pela trilha sonora do compositor Christopher Lennertz, que equilibra arranjos orquestrais tensos com momentos mais contidos, valorizando tanto os confrontos quanto os instantes de exploração silenciosa. Os efeitos sonoros das armas e os gritos guturais dos inimigos são dois pontos de destaque, que elevam a imersão sem depender de exageros nos artifícios técnicos.
Mas o que realmente me fez entender que se tratava de um projeto diferenciado, foi a excelência técnica que presenciei na gameplay, pois temos aqui um baita arsenal disponível, que incluem desde atravessar paredes à tiros teleguiados, garantindo assim uma variedade tática que consegue deixar os combates mais estratégicos e divertidos ao mesmo tempo. Contamos ainda com um sistema de progressão justo e checkpoints bem distribuídos, trazendo desafio na medida certa, que me fez passar horas imerso e parando apenas para resfriar o Playstation 3. Mesmo com o aquecimento notório, o console conseguiu suportar grandes batalhas pirotécnicas, demonstrando um excelente desempenho técnico, graças à otimização quase perfeita do game. Os controles também respondem com precisão e ótimo desempenho, algo notável se considerarmos se tratar de um dos primeiros grandes exclusivos da plataforma.
VEREDITO: Resistance: Fall of Man é uma baita estreia de geração, que consegue equilibrar ambição técnica e substância criativa sem sacrificar nenhuma das duas. A combinação entre um universo original de ficção científica, um arsenal criativo e uma direção de arte consistente, resultou em um projeto excelente, que mesmo anos depois, recomendo tranquilamente.