
8/10 ★★★★★★★★✰✰
▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC | 7900XTX / 5800X3D
▪ Controlador: 8bitDo Ultimate 2.4G
Desenvolvido pela Rockstar Games, este jogo nos coloca na pele de John Marston, um ex-fora da lei coagido a caçar seus antigos companheiros como moeda de troca pela liberdade de sua família. Situado no Velho Oeste, logo no começo da modernidade de 1911, presenciamos ainda o final da era dos pistoleiros. Temos ainda uma das narrativas mais emotivas e maduras que já pude experimentar, e com muito capricho e excelentes gráficos, graças ao incrível trabalho de remasterização disponível neste game.
A forma como a história se desenrola em RDR é cativante e curiosa, pois é fácil se afeiçoar com os carismáticos personagens secundários, onde em certos momentos colocam nosso protagonista como uma espécie de vilão. Isto acontece pois Marston é um personagem de rara profundidade, carregando um peso moral genuíno, que poucos heróis de games conseguem transmitir - aqui não temos aquela roupagem inocente muitas vezes dada à protagonistas, temos na verdade uma realidade nua e crua de como aconteciam as coisas naquela época. O roteiro flerta com temas como redenção, lealdade e o inevitável peso do passado, sem jamais abandonar o tom de western crepuscular que permeia cada missão.
Visualmente, o jogo carrega uma assinatura inconfundível, com cenários que capturam a imensidão árida dos terrenos desertos e nos traz uma uma beleza sensorial impressionante, principalmente quando estamos viajando pelo mundo aberto, enquando se observa a magnitude de um simples, porém belo, pôr do sol. As planícies de Armadillo, tempestades de areia nas terras fronteiriças e a neve densa das montanhas de Tall Trees, compõem uma composição visual memorável. E claro, para acompanhar toda essa beleza faroeste, contamos com uma trilha sonora espetacular, assinada por Bill Elm e Woody Jackson, que juntos criaram uma mistura de folk, ambient e spaghetti western, que transforma cada cavalgada em uma cena de cinema. Os efeitos sonoros também são admiráveis e complementam o explendor da ambientação deste jogo, contando com o estalo seco de revólveres, silêncio ensurdecedor do deserto e até barulhos distantes de animais selvagens. Red Dead Rendemption definitivamente brilha principalmente por sua ambientação.
A jogabilidade infelizmente me decepcionou um pouco, pois eu realmente acreditava que haveria intervenção no sistema rústico antigo, porém a Rockstar optou por deixar o jogo mais original possível, nos entregando certas mecânicas travadas, graças aos controles mais rígidos que carrega todos os defeitos do original. Por este motivo, este título exige certa adaptação, especialmente nas perseguições à cavalo e nos saltos desengonçados, que demoram um pouco para se acostumar. O sistema Dead Eye, que permite desacelerar o tempo e marcar alvos com extrema precisão, achei muito interessante, pois lembra efeitos similares em títulos como Max Payne e Dark Sector. Porém o tempo disponibilizado para este tipo de façanha, achei exagerado, causando assim uma facilitação um tanto simplória, me fazendo recorrer à um desafio pessoal: não utilizei esta mecânica em missões principais, afim de melhor imersão. A progressão é orgânica e bem cadenciada, mas a estrutura de missões peca pela repetitividade em alguns momentos, principalmente com inimigos que pareciam sempre ser os mesmos, sem elevar muito o nível de emboscadas conforme se avança na campanha.
VEREDITO: Red Dead Redemption é uma obra que envelheceu com dignidade, mas não sem acusar o peso dos anos. Sua narrativa permanece exemplar, seu mundo ainda respira autenticidade e a trilha sonora continua entre as melhores da história. As limitações mecânicas ficaram mais evidentes com o tempo, e a versão direcionada a novos públicos poderia ter ido além no refinamento técnico, mas esses pontos não comprometem o essencial. Para quem nunca viveu essa experiência (Como era meu caso), RDR passa a ser uma ótima pedida, pois a história de Marston é realmente impactante e singular.