#0137 | The Procession to Calvary (2021)


8/10 ★★★★★★★★✰✰

▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (R7 5800X3D + RX 7900XTX)
▪ Controlador: Kit Microsoft Wirelles 1000

▪ Lançamento: 2021
▪ Gameplay: 2024
▪ Dificuldade: Extrema ◈◈◈◈◈

Consegui este game pela EPIC, numa daquelas ofertas grátis da loja e na época não liguei muito para ele, apenas o adicionei em minha biblioteca. Um tempo depois, procurando um jogo fora da curva, pois estava um pouco saturado de gráficos 3D, resolvi testar essa obra, sem saber nada, sem nem pesquisar sobre. Com isso, me deparei com uma produção independente que consegue transformar um acervo de pinturas centenárias em um universo jogável coeso, me chamando a atenção imediatamente. O cenário inteiro é costurado a partir de recortes de obras do Renascimento e do período conhecido como Barroco, incluindo quadros de Rembrandt, Botticelli e Michelangelo, e até o protagonista empresta o rosto da deusa Belona. O próprio título é uma homenagem direta à pintura de Pieter Bruegel, o que já indica o nível de reverência artística que permeia cada tela do jogo, algo que maravilha inicialmente, mas que também nos traz um choque de realidade com o que vem a seguir.

Ainda não cheguei a jogar o Four Last Things, jogo que precede a narrativa deste, mas nem por isso me senti perdido na história, pois o The Procession to Calvary consegue se sustentar muito bem sozinho. A trama acompanha a protagonista logo após o fim de uma guerra santa, em uma jornada de vingança contra o antagonista Heavenly Peter, e o roteiro equilibra o tom satírico e a crueldade do contexto histórico retratado - O gore é uma marca forte nesta obra. O humor absurdo, com claras influências do grupo Monty Python, transforma temas pesados como fé, poder e morte em situações hilárias sem nunca soar raso, e cada diálogo entrega camadas de ironia que recompensam quem presta atenção aos detalhes.

Na trilha sonora, temos peças eruditas e compositores como Johann Sebastian Bach, Antonio Vivaldi e George Frideric Handel, selecionadas para reforçar o clima solene e ao mesmo tempo cômico de cada cena.

A ambientação, construída inteiramente a partir de colagens de pinturas clássicas, cria uma identidade visual rara, onde cada cenário parece uma tela viva, respeitando a composição original das obras utilizadas ao mesmo tempo que dá movimento a personagens que estamos à séculos acostumados à vê-los estáticos.

O gameplay é simples, e segue a receita tradicional do gênero point and click, de fácil interação, sem nenhum tipo de sobrecarga na interface. Os enigmas são bem calibrados, exigindo raciocínio sem recorrer a soluções obscuras, e a possibilidade de resolver impasses através da violência funciona como um easter egg narrativo, que sinto que deva funcionar bem para jogadores mais impacientes. O desempenho técnico é sólido, sem quedas de quadro ou travamentos perceptíveis, até porque o foco dessa obra não é gráfico e sim expressão artística e impacto visual.

VEREDITO: The Procession to Calvary é uma daquelas raras experiências que unem erudição artística e humor inteligente sem sacrificar nenhum dos dois lados. Cada elemento, da trilha sonora à direção de arte, foi pensado para criar algo genuíno, e o resultado é uma aventura memorável que honra tanto o legado dos mestres da pintura, quanto a tradição dos bons jogos de aventura e claro, o brilhantismo da música clássica tradicional.

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