#0136 | Remnant: from the ashes (2019)


8/10 ★★★★★★★★✰✰

▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (R7 5800X3D + RX 7900XTX)
▪ Controlador: EasySMX X15

▪ Lançamento: 2019
▪ Gameplay: 2024
▪ Dificuldade: Difícil ◈◈◈◈◇

Uma proposta interessante: Um soulslike de tiro. A Gunfire Games realmente conseguiu me impressionar com o desenvolvimento ousado deste jogo, que consegue trazer um estilo de cadência e estrutura punitiva inspirada em títulos da From Software, mas que ainda consegue à seu modo, funcionar bem como um shooter frenético em terceira pessoa. Como uma espécie de bônus, temos mundos gerados proceduralmente, o que significa que masmorras, inimigos e itens mudam a cada nova partida.

A narrativa tenta seguir a proposta de jogos do gênero, com uma abordagem fragmentada, contada mais através de ambientação e itens, do que por diálogos extensos ou cutscenes. Embora eu entenda ser uma das características deste estilo de jogo, particularmente não me agrada, pois muitas vezes dá a entender ser uma forma de economia de trabalho de desenvolvimento, do que estilo narrativo. Com isso, temos uma estrutura que peca justamente por não aprofundar nos personagens principais, mas que se tivesse um pouco mais de contexto, poderia ter funcionado melhor. Ainda assim, a história principal tem um corpo envolvente, se tratando de uma hipótese ao estilo sci-fi clássico, com uma invasão dimensional que corrompe a Terra e outros mundos paralelos, forçando um pequeno grupo de sobreviventes a atravessar realidades para conter a ameaça através de uma pedra que funciona como um portal. 

A densidade é ainda melhorada com a adição de uma trilha sonora incrivelmente boa, assinada por Rob Westwood, que entre suas composições orquestrais, fica notória a dosagem para momentos de exploração, com a dualidade dos confrontos épicos do game. Os efeitos sonoros elevam essa inspiração, trazendo um tratamento individual de cada cenário, como sussurros distantes e ruídos de ambientes, estabelecendo assim uma atmosfera leve ou pesada, conforme cada área acessada.

Mas o trabalho artístico mesmo, em seu esplendor, é visual. Pois a projeção de cada mundo é algo de encher os olhos, desde as florestas apodrecidas aos campos em ruínas urbanas, ou até mesmo as paisagens que realmente trazem o entendimento de serem locais predominantes de outras espécies. Tudo em Remnant é construído com um cuidado estético milimétrico, que compensa qualquer limitação orçamentária que o jogo possa ter tido em seu desenvolvimento.

A gameplay explora com a mesma intensidade do domínio estratégico e também a habilidade individual de tiro, mas que mesmo jogando com joystick, não senti muitas dificuldades com a mira. O sistema de progressão baseado em atributos e MODs de armas oferece variedade sem se tornar confuso, e a curva de dificuldade, embora exigente, raramente parece injusta, já que a maioria das mortes decorre de erro de leitura do inimigo e não de falhas de controle.

VEREDITO: Remnant: From the Ashes entrega uma experiência sólida que combina desafio, variedade mecânica e uma direção de arte competente, mesmo com uma narrativa que poderia ter sido mais bem desenvolvida. É um título que agrada tanto quem busca dificuldade real, quanto quem aprecia explorar mundos reconstruídos, consolidando-se como uma escolha confiável para fãs de jogos de ação, que eu resumiria entre uma mesclagem de Gears of War e Dark Souls.

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