
10/10 ★★★★★★★★★★
▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (R7 5800X3D + RX 7900XTX)
▪ Controlador: EasySMX X15
Não apenas no mundo dos games, mas se levarmos em conta outras obras, Madness Returns ainda consegue ser uma das melhores retratações do conto Alice no País das Maravilhas. Pois neste jogo, o mundo mágico é dado como uma esquizofrenia da protagonista, simbolizando seus traumas e trazendo peso narrativo à história. Temos então uma Alice que tenta reconstruir suas memórias reprimidas, afim de superá-las, para que assim conquiste a sua liberdade emocional para seguir em frente com sua vida. Em meio à essa premissa profunda e carregada de simbolismo, que abordam temas como perda e negligência familiar, temos ainda uma estrutura de gameplay construída dentro do gênero plataforma, ação e tiro, com mecânicas de que alternam o foco entre exploração e grandes batalhas, onde as pausas emocionais são geralmente são preenchidas por cutscenes que complementam a história.
O roteiro trata com maturidade temas como abuso, culpa e sofrimento psicológico, utilizando a fantasia como metáfora para a reconstrução mental de Alice. Cada capítulo revela pedaços da verdade por trás da tragédia principal e a forma como esses fragmentos se conectam demonstram um domínio narrativo pouco comum em produções do gênero, sustentando o interesse do jogador do início ao fim, sem recorrer a artifícios baratos.
Visualmente, o título é um espetáculo de criatividade. Cada região do mundo onírico possui identidade própria, com paletas de cores, arquitetura e criaturas que refletem o estado emocional de Alice naquele momento da história, isso enquanto produz um contraste constante com a Londres vitoriana sombria que serve de pano de fundo para os momentos de realidade.
A trilha sonora, assinada por Chris Vrenna, reforça esse clima com competência, alternando entre composições melancólicas e trechos de tensão crescente que acompanham perfeitamente o tom psicológico da obra. O design sonoro complementa esse trabalho com efeitos que reforçam a sensação de instabilidade do cenário, e que por mais que seja um projeto já com certo tempo de lançamento, consegue ter uma qualidade binaural muito similar aos títulos atuais, ficando aqui minha recomendação da utilização de headset.
No campo da gameplay, o jogo aposta em um sistema de combate que combina armas variadas, cada uma com um propósito estratégico específico, além de mecânicas de plataforma que exigem precisão em saltos e uso do dash aéreo para desviar de ataques. A progressão é bem distribuída, introduzindo novas habilidades no ritmo certo, para manter o desafio sem sobrecarregar o jogador. Os checkpoints estão posicionados de forma justa, evitando frustrações desnecessárias e o desempenho técnico, mesmo décadas após seu lançamento, se mantém estável e fluido e perfeitamente compatíveis com os drivers mais atuais.
VEREDITO: Alice: Madness Returns é uma obra que transcende o rótulo de jogo de ação e se firma como uma experiência artística completa, unindo narrativa madura, direção de arte que funciona perfeitamente bem com o emocional e mecânicas sólidas de gameplay. Poucos títulos conseguem tratar de temas tão delicados com uma perfeição narrativa como este jogo, que por muito pouco mesmo não entrou em meu TOP10.