
8/10 ★★★★★★★★✰✰
▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (R7 5800X3D + RX 7900XTX)
▪ Controlador: EasySMX X15
Para mim, este game é uma demonstração de força técnica e ambição visual que coloca a Game Science no mapa global dos AAA, pois o impacto de lançamento foi tão grandioso que levou a obra a ser indicada ao GOTY, com uma controversa derrota para Astrobot. Temos aqui uma leitura poética de uma das maiores lendas chinesas, a Jornada ao Oeste, mas agora traduzida para uma experiência de ação visceral com um nível de detalhamento gráfico quase inacreditável.
A narrativa foca no tom épico para ser o mais fiel possível à obra original, mas acaba se apresentando através de uma perspectiva mais sombria e por vezes até enigmática. As conversas com NPC's tem um tom místico e leve ao mesmo tempo, algo que imediatamente me encantou, principalmente por ser algo diferente de tudo que eu estava acostumado.
A direção de arte é, sem dúvida, o ponto mais alto desse jogo. Cada de boss tem seu design completamente único, cada bioma tem suas características distintas e também vale destaque as esculturas extraordinárias que encontramos pelo caminho, que realmente nos convence de que estamos em uma gameplay bem no meio da China antiga, e mais do que isso, nos mostra que um bom jogo não se trata apenas de gráficos, mas também de identidade.
Logicamente, a Unreal Engine 5 apoia toda essa criatividade artística, com uma fidelidade visual em texturas, folhagem e efeitos de iluminação inacreditáveis, mas que infelizmente sacrifica demais o hardware por falta de otimização, pois além de existir no meio do processo de desenvolvimento a migração de saída da Unreal Engine 4 para a 5, houve-se também pressão de lançamento pelo governo chinês que financiou parte do projeto, tirando assim o tempo hábil para melhorias de construção poligonal do jogo, o que no fim comprometeu seu desempenho. Então é um tanto frequente, mesmo em sistema high-end como foi o que utilizei, observar quedas de frames e stuttering, algo que incomoda muito em lutas contra chefes, mas que foi em partes melhorado no decorrer das atualizações do jogo.
Na gameplay, temos uma bela mistura da velocidade do hack'n slash, com as bases de comando de um souls like, dois gêneros em alta na época do lançamento. O funcionamento desta mecânica é incrivelmente viciante, pois o sistema de combate é tão bem construído e fluido, que em certos momentos o personagem parece uma extensão de nosso corpo. Temos ainda a inserção de habilidades mágicas baseadas nas transformações de Wukong, que são adquiridas no decorrer do jogo e funcionam de formas distintas, apoiando nas batalhas conforme a escolha do jogador. Como curiosidade, o sistema de combate é construído em torno do uso do bastão, similar ao que vemos no Mangá de Dragon Ball, com Goku. Isso acontece pois ambos são baseados no mesmo folclore, contendo ainda mais similaridades dentro do jogo, que vou evitar trazer afim de não fornecer spoilers.
O game design é bom e ruim ao mesmo tempo, temos templos e arenas incrivelmente bem elaboradas e corredores que facilitam o avanço, mas em determinado pontos o jogo flerta com um mundo semi-aberto, que não seria problema caso não existisse as famosas paredes invisíveis. Recurso que considero fraco para desenvolvimento de games, utilizado aqui pelo mesmo motivo dos problemas gráficos, falta de tempo hábil de desenvolvimento.
VEREDITO: Black Myth Wukong entrega uma direção de arte majestosa e brilha intensamente no gameplay ao fundir a fluidez frenética do hack'n slash com a precisão tática de um souls like. No entanto, a colossal ambição deste épico embate marcial esbarra em um ciclo de desenvolvimento apressado, resultando em uma evidente carência de otimização que castiga o hardware com incômodas quedas de frames. Além disso, as escolhas de level design impõem severas quebras de imersão ao limitar os mapas com as sempre frustrantes paredes invisíveis e que acabam desestimulando a exploração. Mesmo tropeçando nessas falhas técnicas e de arquitetura, a aventura supera seus sacrifícios entregando combates formidáveis contra chefes inesquecíveis, firmando-se como um triunfo visual e um marco cultural genuinamente memorável e para mim uma das obras mais originais da indústria dos anos 2020, que marca de vez a competitividade do mercado Chinês no mundo dos games.