
7/10 ★★★★★★★✰✰✰
▪ Versão: Super Nintendo
▪ Jogado em: Nintendo Switch Lite
▪ Controlador: Switch Lite Grip TwiHill
Esta clássica aventura de plataforma recebeu uma reformulação gráfica completa para se adequar ao poder do aparelho de 16bits da Nintendo. Embora a essência genial do design de fases tenha sido mantida quase intacta, esta versão teve leves alterações na física, principalmente no peso dos saltos, em relação à obra original. Ainda assim, o título se sustenta como uma jornada extremamente criativa e influente, oferecendo um desafio altíssimo, que em certos momentos chega a ser um teste de paciência.
A história acompanha os carismáticos irmãos Mario e Luigi em uma viagem urgente pelo vasto Mushroom World, onde o objetivo principal é ajudar os monarcas de sete reinos, que foram transformados em animais pelo vilão Bowser. A cada castelo recuperado, uma carta da Princesa Peach é revelada, acompanhada de novos itens e guiando a progressão de forma muito charmosa.
Os diretores Shigeru Miyamoto e Takashi Tezuka aproveitaram a nova paleta de cores para enriquecer os desertos escaldantes; os mundos de gelo e os céus estrelados, utilizando sprites muito mais expressivos e detalhados. Acompanhando esse salto estético, o compositor Koji Kondo teve as suas melodias retrabalhadas para utilizar os novos canais de áudio do hardware, entregando arranjos com baterias mais nítidas e baixos envolventes que grudam na cabeça.
A gameplay exibe inovações estruturais, como a introdução de um mapa múndi navegável (Que serviu de inspiração para a obra-prima Super Mario World), que permite inclusive a escolha de rotas alternativas, garantindo desvio de grandes inimigos ou até fases bônus, como os minijogos em tendas do Toad. Outra adição foi o inventário na parte inferior da tela, possibilitando guardar itens vitais para usar apenas nas áreas mais complexas, uma mecânica que tão boa, que considero hoje um desperdício a simplificação que ocorreu nos jogos posteriores. As famosas fantasias trouxeram uma variedade imensa de movimentos, sendo uma mais carismática que outra, principalmente a de esquilo, que mesmo não tendo uma habilidade tão primordial, consegue encantar aos olhos - é realmente muita fofura😌.
Apesar de tanta variedade, o level design do implacável apresenta picos de dificuldade cruéis que punem qualquer milímetro errado no salto, tornando a jornada muito exaustiva, principalmente na reta final. O personagem traz também uma sensação de ser leve demais, muitas vezes parecendo estar quase deslizando no chão, tirando um pouco a precisão do controle e levando um tempo um pouco maior para se acostumar.
VEREDITO: Super Mario Bros. 3 é responsável por repaginar um pilar da indústria para a era de 16bits, entregando um pacote audiovisual que moderniza a obra sem sacrificar a sua robustez criativa. A aventura evidencia uma maturação no formato de plataforma, adotando ideias funcionais como a navegação tática entre os estágios e o gerenciamento pontual de ferramentas, fatores que dinamizam a progressão de forma muito natural. Apesar do inegável carisma das novas transformações, a jornada esbarra em certos obstáculos devido às adaptações na física original, gerando uma fluidez um tanto estranha, tirando um pouco a exatidão dos comandos. Esse atrito na gameplay conflita diretamente com a arquitetura punitiva do level design nos ambientes finais, transformando o que deveria ser um clímax rítmico, em um teste de perseverança e repetição, o famosos "passei por sorte". Ainda assim, mesmo com as frustrações ocasionadas, a releitura preserva o encanto da franquia, firmando-se como uma experiência historicamente rica e gratificante para os adeptos de bons desafios clássicos.