#0167 | Bayonetta (2018)


9/10 ★★★★★★★★★✰

▪ Versão: Nintendo Switch
▪ Jogado em: Nintendo Switch Lite
▪ Controlador: Switch Lite Grip TwiHill

▪ Lançamento: 2018
▪ Gameplay: 2026
▪ Dificuldade: Difícil ◈◈◈◈◇

Este espetáculo de ação desenfreada nasceu da mente extravagante do diretor Hideki Kamiya, que desejava elevar o patamar do gênero hack and slash a níveis absurdos, o que sinceramente conseguiu atingir. Desenvolvido pelo estúdio PlatinumGames, o projeto oferece uma experiência de velocidade alucinante, cenas sugestivas e batalhas colossais - consolidando o título como uma das aventuras mais estilosas e mecanicamente precisas já pude experimentar.

A trama acompanha a protagonista que dá nome à obra, Bayonetta, uma bruxa sarcástica que desperta sem memórias após um sono profundo de meio milênio, no fundo de um lago escuro. Para desvendar os mistérios do seu próprio passado e entender o antigo conflito armado entre as Bruxas de Umbra e os Sábios de Lumen, ela viaja até a fictícia cidade de Vigrid. Pelo caminho, o roteiro introduz figuras bastante carismáticas que ajudam a movimentar a narrativa, como a misteriosa rival Jeanne, o alívio cômico do jornalista investigativo Luka e o imponente Rodin, dono de um bar no submundo que fornece armamentos pesados. A história abraça o exagero propositalmente, usando cutscenes coreografadas de maneira acrobática para criar um tom muito divertido, que nunca se leva a sério demais, mesmo abordando temas complexos entre céu e inferno. Para entender mais sobre a história, encontramos muitos documentos para leitura enquanto se avança no jogo, que mantém uma escrita amigável e não muito longa, convidando o jogador a entender melhor sobre aquele universo e seus personagens.

O trabalho estético demonstra um capricho formidável, utilizando uma engine proprietária do estúdio para renderizar ambientes góticos belíssimos. O design dos inimigos é um atrativo à parte, apresentando os anjos de Paradiso com aparências grotescas e quase divinas, misturando mármore, adornos de ouro e rostos bizarros em criaturas imensas. A otimização técnica priorizou a velocidade, entregando um framerate muito ágil e uma taxa de fps consistente, algo vital para o ritmo das esquivas. A ambientação acústica é guiada pelo compositor Hiroshi Yamaguchi, que criou uma trilha sonora extremamente peculiar ao misturar jazz, música pop e corais épicos, casando perfeitamente com o som cristalino dos saltos e dos impactos dos golpes de artes marciais.

Na jogabilidade temos muita criatividade, como por exemplo as armas de fogo que simultaneamente são equipadas nas mãos e nos calcanhares de Bayonetta, para emendar sequências de chutes e tiros ininterruptos, é uma loucura divertida demais. A mecânica central que dita todo o fluxo dos combates é o Witch Time, um sistema que recompensa o jogador por desviar de ataques inimigos no último milissegundo possível, deixando o tempo quase parado ao seu redor para contra-atacar de forma impiedosa (Contra certos inimigos isso é primordial para derrotá-los e também é utilizado para acesso à determinados locais das fases). Há também o uso constante de ataques finalizadores espetaculares, onde a personagem usa o próprio cabelo mágico (E às vezes a roupa) para invocar demônios gigantescos da escuridão ou armadilhas sangrentas para acabar de vez com os inimigos. 

VEREDITO: Bayonetta estabelece um novo e audacioso padrão para o gênero hack and slash, triunfando através da mente extravagante de Hideki Kamiya. A obra equilibra com maestria uma narrativa intencionalmente exagerada e gótica com uma fluidez mecânica impecável, onde a ousadia visual dos combates se une a uma otimização técnica cirúrgica. A genialidade do título reside na precisão absoluta de seus sistemas, com destaque para a viciante mecânica Witch Time, que transforma a esquiva perfeita no núcleo de um balé de ação frenético, estiloso e imensamente recompensador.

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