
7/10 ★★★★★★★✰✰✰
▪ Versão: Super Nintendo
▪ Jogado em: Red Magic 10 Air
▪ Controlador: EasySMX M15
Esta obra de plataforma e ação foi desenvolvida pela Konami, é um caso curioso de proeza técnica versus limitações de design, pois ele tenta reimaginar o lendário Rondo of Blood, porém sendo muito mais rígido e punitivo do que por exemplo o Super Castlevania IV, me proporcionando um dos maiores desafios que já enfrentei nos games. Mas em vez de realizar um port direto e idêntico para o cartucho, a equipe de criação tomou a controversa decisão de reestruturar completamente os estágios e os desafios. O resultado é um game mecanicamente muito competente e visualmente bonito, porém que dividiu opiniões ao entregar uma jornada consideravelmente mais curta, linear e com um pico de dificuldade, que como mencionei antes, é implacável!
A narrativa nos transporta mais uma vez para a clássica e violenta luta entre a família de caçadores de vampiros e as impiedosas forças das trevas. O jogador assume o controle do jovem e determinado herói Richter Belmont, que empunha o lendário chicote mágico com a missão de invadir o castelo do conde Drácula. O grande atrativo do roteiro é incentivar a exploração atenta pelo cenário, pois a conclusão da história muda completamente dependendo das ações do herói, assim como os itens escondidos, mas que sinceramente, falha em certas ocasiões, pois a escolha de ser muito enigmático faz com que certas coisas fiquem para trás, sem que o jogador perceba.
No aspecto técnico e visual, os artistas fizeram um trabalho formidável ao adaptar a estética gótica para as paletas do aparelho da Nintendo, nos proporcionando um visual cheio de cenários incrivelmente ricos, apresentando belíssimos vitrais quebrados, masmorras sombrias e um uso inteligente de camadas de fundo que simulavam muito bem os incêndios. No áudio, temos uma trilha musical empolgante e nostálgica, guiada pelo do compositor Tomoya Tomita, que nos entrega melodias consagradas, como a icônica faixa Vampire Killer, que ganharam arranjos pesados com a polifonia do Super Nintendo.
A gameplay se apoia fortemente na fórmula tradicional de paciência e precisão, exigindo movimentação calculada, já que o pulo do protagonista é bastante engessado no ar e não permite correções de trajetória. Richter pode usar um botão para lançar armas clássicas pelo cenário, como machados pesados (Meu preferido), frascos de água benta e cruzes bumerangues, ajudando a limpar as áreas repletas de caveiras e morcegos. Temos ainda o ataque especial, que consome dezenas de corações de munição de uma só vez, para disparar uma magia colossal capaz de atingir todos os inimigos presentes na tela, sendo uma espécie de último recurso. Contudo, as escolhas estruturais do level design abusam de buracos perigosos e inimigos posicionados covardemente em bordas de abismos, punindo qualquer pequeno erro do jogador com a morte instantânea, o que traz uma sensação de frustação, pois muitas vezes a culpa não é jogador e sim da movimentação travada e a falta de controle de chicote multidirecional, o que exige um planejamento milimétrico de cada movimento, tornando o jogo um pouco maçante em certos momentos.
VEREDITO: Castlevania: Dracula X adapta a rica estética gótica de Rondo of Blood no port para o Super Nintendo com a inegável competência visual e arranjos musicais memoráveis. No entanto, o título tropeça em escolhas controversas de level design, trocando a liberdade de seu antecessor por uma jornada linear, consideravelmente mais curta e engessada em segredos forçados. A combinação de uma movimentação rígida com o posicionamento covarde de inimigos, transforma o desafio em sua maioria uma experiência frustrante, consolidando uma obra tecnicamente bela, mas limitada por sua jogabilidade punitiva, que acabou me agradando mais por eu fazer parte dos nichos de jogadores hardcore.