#0169 | Dark Souls III (2016)


9/10 ★★★★★★★★★✰

▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (R7 5800X3D + RX 7900XTX)
▪ Controlador: EasySMX X15

▪ Lançamento: 2016
▪ Gameplay: 2026
▪ Dificuldade: Difícil ◈◈◈◈◇

Este épico da fantasia sombria, mesmo eu jogando após Elden Ring, conseguiu me impressionar positivamente, muito diferente do que pude experimentar em Dark Souls II. Sob a direção meticulosa do designer Hidetaka Miyazaki, a equipe da FromSoftware canalizou todo o aprendizado acumulado ao longo da década dos anos 2010 para criar uma experiência de despedida magistral. A jornada funciona como uma grande carta de amor aos fãs, unindo elementos clássicos que definiram o gênero soulslike com uma agilidade de combate recém-descoberta. O resultado é uma obra melancólica, punitiva na medida certa e mecanicamente brilhante, que reverencia o passado enquanto entrega confrontos memoráveis e um polimento de ponta, que conquista espaço entre as obras que instigam o NG+.

A narrativa nos lança nas terras desoladas do reino de Lothric, um mundo à beira do colapso onde o fogo primordial está prestes a se apagar de forma definitiva, levando o ciclo natural da vida consigo. O jogador assume o papel do Ashen One (Ou Vindo Das Cinzas, Primeiro Cinzento ou ainda O imatável), um guerreiro com a monumental e árdua missão de caçar e devolver aos seus tronos os poderosos Lords of Cinder. O roteiro brilha ao subverter as expectativas heroicas, forçando o protagonista a enfrentar lendas corrompidas pelo peso do tempo, como os trágicos cavaleiros Abyss Watchers, o gigantesco Yhorm the Giant e o bizarro devorador de deuses Aldrich. A história se desdobra quase silenciosamente através de diálogos enigmáticos e nas ricas descrições de itens espalhados pelo mapa, construindo um fascinante quebra-cabeça, que recompensa ricamente a curiosidade de quem explora cada canto daquele cenário desolado.

No aspecto visual e de performance, a versão para PC demonstrou um salto colossal de qualidade e otimização em relação aos difíceis ports dos projetos anteriores da empresa. Utilizando a sua engine gráfica aprimorada, o estúdio construiu cenários deslumbrantes que misturam catedrais góticas imponentes, pântanos venenosos e castelos consumidos por raízes e cinzas, formando uma arquitetura visualmente opressiva, com um tom até de noir e que ficou tão bela que quase pareceu um remaster. Ainda assim o framerate se mantém nas casas dos 60 tranquilamente em um computador mediano jogando em FullHD, e para PC's atuais, jogar em 4K não é nada complicado e muito estável. Sendo assim, os reflexos milimétricos dos jogadores não são prejudicados neste game, nem mesmo temos travamentos irritantes, comum no gênero - Ou seja, se você morrer, a culpa é sua mesmo! 

O departamento sonoro, encabeçado pela genial compositora Yuka Kitamura, entrega uma ambientação auditiva espetacular, que mescla perfeitamente com a trilha de violinos tristes e corais melancólicos, que atingem um clímax ensurdecedor durante as intensas lutas contra os bosses, somando-se ao som nítido do choque de lâminas e dos feitiços rasgando o ar.

O gameplay manteve a dificuldade rigorosa pela qual o estúdio japonês é famoso, mas adotou um ritmo de ação muito mais agressivo, fluido e responsivo. A movimentação do herói tornou-se consideravelmente mais rápida, exigindo total atenção para encaixar o roll de esquiva no exato milissegundo dos golpes adversários. Somado a esse combate afiado, o tenso sistema de multiplayer assíncrono e direto retornou de forma refinada, permitindo deixar mensagens ocultas no chão para outros exploradores, além de manter ativas as temidas invasões e as sessões de co-op online, garantindo uma sobrevida gigantesca aos servidores virtuais, mas que particularmente não é meu foco, pois sempre preferi zerar soulslike em formato offline, que também é excelente, pois garante uma maior imersão no jogo em si.

VEREDITO: Dark Souls III encerra a consagrada trilogia de fantasia sombria com uma maturidade técnica e artística impressionante, consolidando o ápice da fórmula que definiu toda uma geração. A obra triunfa ao sintonizar uma atmosfera de melancolia profunda a um combate consideravelmente mais ágil e responsivo, refinando os erros do passado sem abrir mão da punição rigorosa característica de seu diretor. Amparado por composições orquestrais grandiosas e por um desempenho computacional exemplarmente otimizado, o título se impõe como uma conclusão magistral e obrigatória, capaz de recompensar tanto a precisão mecânica quanto a exploração atenta de seu universo decadente. Mas cuidado, pois este Dark Souls, mesmo se comparado a toda trilogia, é de longe o mais viciante!

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem