#0135 | Mortal Shell (2020)


6/10 ★★★★★★✰✰✰✰

▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (R7 5800X3D + RX 7900XTX)
▪ Controlador: EasySMX X15

▪ Lançamento: 2020
▪ Gameplay: 2024
▪ Dificuldade: Difícil ◈◈◈◈◇

Pegando embalo no gênero soulslike, muito em alta na época e também entrando em minha jogatina frequente devido à influência que tive após me maravilhar com Elden Ring - temos esta inspiração que foca na originalidade de gameplay, trazendo novas mecânicas, mas que acaba tendo certos deslizes se comparado à outros títulos similares. Desenvolvido pela Cold Symmetry e publicado pela Playstack, Mortal Shell segue com uma proposta de experiência muito compacta, não dando uma margem real para aprofundamento narrativo ou cenários e inimigos marcantes, assim como a dificuldade um pouco mais básica, não sendo um grande desafio como eu esperava.

A narrativa se apoia fortemente em um sistema de possessão de corpos, no qual o jogador assume o controle de diferentes shells, cada um com atributos e histórico próprios, revelados de forma fragmentada por meio de itens e diálogos crípticos - que no fim nos deixa completamente perdidos ao que esta realmente acontecendo. Ainda assim, essa abordagem misteriosa por vezes funciona, devido à principal proposta de atmosfera do game, que consegue ser realmente muito sombria.

No aspecto sonoro, a trilha composta por Simon Heath aposta em uma atmosfera de ambiente industrial, com poucos temas de destaque e uma presença discreta durante a maior parte da jogatina, o que contribui para a sensação de isolamento, mas que não marca uma identidade própria do jogo.

O design visual, por outro lado, é competente e consegue transmitir decadência e mistério através de cenários como pântanos e catedrais em ruínas, ainda que a variedade de ambientes seja limitada e a repetição visual se torne perceptível conforme o jogo avança, revelando as limitações orçamentárias típicas de uma produção independente.

A jogabilidade centra-se quase inteiramente no combate corpo a corpo, com um sistema de bloqueio e contra-ataque que funciona bem, mas que nem sempre aborda uma resposta de comandos precisa, especialmente em situações com múltiplos inimigos. Então infelizmente temos as famosas mortes frustantes, onde o jogador não é o responsável e acaba sendo penalizado por erros de hit-scan ou bugs do jogo. A progressão é enxuta e direta, sem grandes camadas de personalização, o que pode agradar quem busca uma experiência mais objetiva, mas decepciona quem espera profundidade próxima à de referências do gênero.

O desempenho no PC se mostra estável na maior parte do tempo, embora ocorram travamentos ocasionais de câmera em espaços fechados, mas nada que realmente atrapalhe a jogatina, isso porque o game foi desenvolvido em Unreal 4, versão à qual não sofre tanto com stuttering como sua versão posterior.

VEREDITO: Mortal Shell é um projeto honesto em suas intenções, mas que esbarra em limitações técnicas e narrativas, que impedem sua evolução além de uma cópia competente de fórmulas já conhecidas, resultando em uma experiência mediana, que atende principalmente quem busca uma introdução mais curta e menos exigente ao gênero soulslike. Vejo este jogo da mesma forma que Flintlock, algo ainda cru, mas que se lapidado corretamente, ainda pode nos surpreender com edições posteriores.

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